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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Fim dos Tempos

Acalmem-se, voltem aqui! Isto não é mais um post inútil sobre a suposta aproximação do apocalipse em 2012. Na verdade, se algumas pessoas responsáveis pela tradução de títulos de filmes no Brasil tivessem um pouco mais de bom-senso, este post nem teria qualquer relação com o assunto. Isso porque o nome original do filme sobre o qual eu vou falar aqui se traduziria como "O Acontecimento" (no original: The Happening). E acreditem, esse título cairia muito melhor, tanto para o filme quanto para este post.

Se você é esperto, já percebeu que eu estou falando do filme de 2008 de M. Night Shyamalan, o mesmo diretor de O Sexto Sentido, cujo filme tratado aqui é certamente menos sobre um "fim dos tempos" e mais sobre um "fim de carreira". Sério mesmo, como é possível que um cara que nos presenteou com uma história surpreendente, cenas marcantes e um final totalmente inesperado pode produzir um lixo como este? Me desculpem aos que gostaram do filme (existe alguém assim?), mas Fim dos Tempos deveria fazer jus à própria trama e se jogar do alto de um prédio antes de ser assistido por mais alguém.


Caso já tenha assistido (meu pêsames!), pode pular a próxima parte, mas caso ainda não tenha tido a chance, não perca duas horas de sua vida e leia a seguir um resumo da história (contém spoilers, mas eles serão o menor de seus problemas caso resolva assistir):

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Máquina que faz PING!

Trata-se da primeira cena do filme The Meaning of Life (em português: O Sentido da Vida), o último e mais polêmico longa dos comediantes britânicos do Monty Python, sobre o qual eu já comentei aqui antes, mas que hoje trago de volta para fazer uma breve reflexão sobre um dos grandes perigos que o jovem de hoje enfrenta: o consumismo.

Em The Meaning of Life, um grupo de peixes num aquário explora, numa série de esquetes separadas, as diversas circunstâncias da vida humana, do nascimento até a morte. Com tiradas hilariantes ao extremo - e outras que podem irritar extremistas - o filme tenta levar o espectador a refletir sobre o verdadeiro sentido da vida. Uma obra de arte, como são aliás todos os trabalhos do grupo.

Mas vamos ao que interessa. Você certamente já viu alguma máquina que faz um ruído característico. Computadores, por exemplo, fazem "bip". Celulares podem fazer diversos sons, dependendo do que o dono programar. E claro, há os videogames, que fazem "ekke ekke ekke ekke ptang-zu-bóing". Não, esperem. Isso quem faz são Cavaleiros que Dizem NI.

Bom, que seja. De qualquer forma, existem também algumas máquinas que fazem "ping". Mas eu garanto que nenhuma delas faz "ping" como A Máquina que faz PING! (leia-se PING!, no tom mais agudo possível).

Se o governo quiser investir em saúde, deve começar equipando todos os hospitais com uma Máquina que Faz PING!. É uma maravilha da ciência moderna! Com A Máquina que Faz PING!, não precisariam se preocupar com mais nada.

"Mas afinal", você se pergunta, "o que essa máquina faz?" E eu respondo sarcasticamente: "Ora, o nome já diz! A Máquina que Faz PING! faz... PING!".

Só isso? Só isso. Mas é um dos equipamentos mais caros da maternidade onde uma jovem está prestes a dar à luz.

Existem pessoas que fariam qualquer coisa para ter uma Máquina que Faz PING!. Mesmo sabendo que ela não os deixaria dormir à noite e só serviria para fazê-las gastar dinheiro - imaginem quanto custa a manutenção de uma máquina dessas. Mas elas precisariam dela, nem que fosse apenas para espalhar aos outros que elas têm.

A Máquina que Faz PING! é um exemplo claro da situação atual de boa parte da juventude. A mídia, especialmente a televisão, nos diz que nós valemos por aquilo que nós temos. Quanto mais você tem, mais você vale. Mas não basta ter tal coisa; é preciso que tal coisa esteja na moda. 

Pessoas que são excluídas, taxadas de "inferiores", apenas porque não têm um par de tênis de R$300,00 - que é quase o salário mensal de boa parte dos trabalhadores brasileiros.

Outras que se matam para comprar uma calça igual à dos integrantes daquela banda de sucesso, apenas para descobrirem, depois de uma semana, que com o mesmo dinheiro poderiam ter comprado várias calças mais baratas - e mais confortáveis.

A pessoa pode ser um pulha, o tipo de gente que ninguém gosta de chegar nem perto, mas se ela tiver dinheiro, estará sempre rodeada de "amigos". Mas de que adianta tudo isso, se quando chegar a hora perderemos todas essas coisas? O que nós vamos levar daqui?

O mesmo filme que nos apresenta a maravilhosamente inútil Máquina que Faz PING! - tão inútil, se comparada a outras máquinas parecidas, quanto um par de tênis de R$300,00 ou um par de calças coloridas que mais parecem de palhaço - também nos dá a resposta. Não importa se somos ricos ou pobres, se andamos na moda atual ou na de cinco anos atrás, se temos em nossa garagem um carro do ano ou uma mula atrelada a uma charrete: nosso destino final vai depender unicamente do que nós somos, porque o que temos... isso não vai valer absolutamente nada!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A religião e a alegria

"Então os cavaleiros ouviram uma voz como de trovão, que chamava pelo seu líder:
- Arthur! Rei dos Bretões!
Olhando para o céu, viram uma intensa luz, que não vinha do sol. Imediatamente, todos prostraram-se por terra.
- Não se abaixe! - ordenou o Senhor. - Uma coisa que Eu não suporto é quando as pessoas se abaixam.
- Desculpe, Senhor.
- E não se desculpe! Sempre que falo com alguém é 'desculpa' pra cá, 'perdão' pra lá, e Eu não mereço... O que está fazendo agora??
- Desviando o olhar, Senhor.
- Não faça isso! Parece aqueles salmos idiotas... São tão deprimentes! Pare já com isso!
- Sim, Senhor - obedeceu Arthur.
- Isso. Arthur, rei dos Bretões. Os Cavaleiros da Távola Redonda cumprirão uma tarefa para que sejam um exemplo nestes tempo difíceis.
- Boa ideia, Senhor.
- Claro que é uma boa ideia!"

Monty Python. Guarde bem esse nome. Se você nunca ouviu falar neles antes, preste atenção redobrada neste post.