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segunda-feira, 18 de junho de 2012

A lei do (sofrimento) mais forte

Dizem as más línguas que nós vivemos em um mundo bem mais evoluído do que, digamos, meio milhão de anos atrás. Mas eu, sinceramente, às vezes tenho certas dúvidas quanto a isso.
Quer dizer, é verdade que meio milhão de anos atrás não havia computadores, televisão, internet, telefone celular, videogames, vacinas, transplantes, aviões ou naves espaciais (pelo menos não nativas do planeta Terra). Por outro lado, também não havia políticos corruptos, desigualdade social, poluição, pessoas matando umas às outras por dinheiro ou drogas, Restart e Big Brother Brasil. Mas independente disso, há pelo menos uma coisa que não mudou de lá pra cá: a lei do mais forte.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A máquina d scrvr

Apsar d minha máquina d scrvr sr um modlo antigo, funciona muito bm, com xcção d uma tcla.

Há 42 tclas qu funcionam bm, mnos uma,  isso faz uma grand difrnça!

Às vzs, m parc qu mu grupo ´ como a minha máquina d scrvr, qu nm todos os mmbros stão dsmpnhando suas funçõs como dviam, qu tm um mmbro achando qu sua aus^ncia não fará falta...

Voc^ dirá: "Afinal, sou apnas uma pça sm xprssão , por isso, não fari difrnça ou falta à comunidad." ntrtanto, para uma organização podr progrdir ficintmnt, prcisa da participação ativa  conscutiva d todos os sus intgrants.

Na próxima vz qu voc^ pnsar qu não prcisam d voc^, lmbr-s da minha vlha máquina d scrvr  diga a si msmo: "u sou uma pça important do grupo  os mus amigos prcisam d mim!"


Pronto, agora consertei a minha máquina de escrever. Você entendeu o que eu queria te dizer?

Percebeu a sua imensa participação na vida daqueles ao seu redor? Percebeu que assim como tem pessoas que são importantes para nós, também somo importantes para alguém?

Lembre-se de que somos parte do Universo e como tal somos uma peça que não pode faltar no quebra-cabeça da vida!

(Adaptado do livro Sabedoria em Parábolas, do professor Felipe Aquino)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O rei e os peixinhos do lago

Nas vizinhanças do palácio do rei havia um pequeno lago onde viviam tranquilos muitos peixinhos.

Um dia, ao regressar de um passeio, o rei chamou um de seus auxiliares e disse-lhe:

- Tenho muita pena desses peixinhos que vivem tão modestamente no lago. É preciso que tenham mais espaço para nadar e mais liberdade para viver. Determino, pois, que todos eles sejam, amanhã, muito cedo, transportados para o grande rio que banha a cidade.

A ordem do rei foi rigorosamente obedecida. Todos os peixinhos foram retirados do lago e levados para o rio caudaloso que passava ao longe.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Os Três Obreiros

Três operários preparavam pedras para a construção de um grande templo.
Aproximei-me do primeiro e perguntei-lhe, fitando-o com simpatia:
- Que estais fazendo, meu amigo?
- Preparo pedras! - respondeu-me secamente.
Encaminhei-me para o segundo, e interroguei-o do mesmo modo.
- Trabalho pelo meu salário! - foi a resposta.
Dirigi-me, então, ao terceiro e fiz a mesma pergunta com que já havia interpelado os outros dois:
- Que estais fazendo, meu amigo?
O operário, fitando-me cheio de alegria, respondeu com entusiasmo:
- Pois não vê? Estou construindo uma catedral!
Reparem, meus amigos, no modo tão diverso como cada operário cumpria o seu dever. O primeiro desobrigava-se de uma tarefa para ele material e grosseira; o segundo não visava senão o dinheiro a receber pelo trabalho; e o terceiro contemplava o ideal.
Escravos seremos se, à semelhança do primeiro operário, limitarmos a nossa vida à luta diária.
Entre os ambiciosos nos incluiremos se contemplarmos somente o lucro imediato de nossos esforços.
Felizes serão, porém, aqueles que vivem, lutam e sofrem por um ideal.

(Do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan)

E você, jovem? Como encara a vida? 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Os Pequenos Sacrifícios

A vida é entremeada de sacrifícios. Fazemos sacrifícios o tempo todo. Às vezes, até sem perceber. Quando acordamos cedo, num dia chuvoso, para ir para a escola ou trabalhar, não deixa de ser um sacrifício que fazemos. Quando deixamos de ir a uma festa com os amigos porque temos uma prova na manhã seguinte, também é. Quando nossa mãe deixa de ir dormir para nos esperar chegar da rua, também é um sacrifício que ela faz - e nós podemos aqui fazer mais um, procurando chegar mais cedo para que ela possa descansar.

Sim, a vida é entremeada de sacrifícios. Uns maiores, outros menores. E aqui vem a questão: qual tipo de sacrifício é o mais difícil de se fazer?

Narra Sainte-Beuve a história de uma antiga abadessa muito dedicada à vida religiosa, que, afastada de seu cargo, não pôde decidir-se a deixar a chave de um jardinzinho, no qual seus privilégios anteriores lhe davam direito de entrar. É muito fácil guardar a chave de um jardim, mas custa tanto, às vezes, desfazer-se dela!

Pensem bem: o que seria mais difícil para uma pessoa viciada em chocolate, por exemplo: ficar apenas um dia em jejum, sem comer nada, ou permanecer uma semana comendo tudo o que quiser, exceto chocolate? Obviamente que a segunda opção seria a mais difícil, muito embora represente um sacrifício visivelmente menor.

Outro exemplo: uma pessoa que mora sozinha e não tem empregada. Como seria melhor ela fazer para limpar a casa? Esperando que se acumulasse sujeira por um mês e depois fazer uma faxina geral; ou todos os dias dar uma varrida, espanar os móveis, recolher o lixo? A primeira opção claramente indica um trabalho maior, embora a segunda indique um sacrifício mais complicado, ainda mais se levarmos em conta que essa pessoa, morando sozinha, não teria tanto tempo livre todos os dias. Ainda teria que abrir mão das poucas horas de folga para arrumar a casa.

Como se vê, por incrível que pareça, os grandes sacrifícios fazemo-los facilmente - com uma facilidade, já se vê, relativa - mas os pequenos, esses custam-nos enormemente.

Parecemo-nos àquele menino que tem o armário cheio de brinquedos e, convidado a dar alguns aos pobrezinhos, acha que os brinquedos que lhe pedem são precisamente aqueles a que está mais apegado. Ou àquele outro a quem a mãe ensina as orações, e chegando a esta passagem: "Meu Deus, dou-vos tudo o que possuo", para e acrescenta em voz baixa: "exceto o meu coelhinho". Ou, ainda, àquela senhora que é capaz de subir de joelhos até o Cristo Redentor, mas não é capaz de parar de bisbilhotar a vida das vizinhas.

Mas uma coisa a se notar a respeito dos pequenos sacrifícios é que eles geralmente produzem frutos mais duradouros do que os grandes. Autocontrole, responsabilidade, desapego, respeito: esses seriam os frutos produzidos pelos pequenos sacrifícios dos exemplos acima.

Não estou dizendo que os grandes sacrifícios sejam ruins, ou inúteis; ao contrário, são bons e às vezes até necessários. Mas de que servirão, se não mudarem a nossa vida?

(Baseado em reflexão do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pausa

Recentemente, comecei a assistir uma famosa série norte-americana. Talvez você já tenha ouvido falar dela: How I met your mother (traduzindo: Como eu conheci sua mãe). Caso não conheça, aqui vai um pequeno resumo:

A série conta a história de Ted, um cara que decide que é hora de encontrar o grande amor de sua vida após seus melhores amigos, Marshall e Lily, ficarem noivos. Os episódios são narrados do ponto de vista do próprio Ted, que trinta anos no futuro, conta a seus filhos as peripécias pelas quais ele passou antes de encontrar a mãe deles.

Outros personagens da série são Barney, amigo de Ted, um cara extremamente mulherengo, que sempre possui cantadas infalíveis para seduzir as garotas; e Robin, uma jovem jornalista que se torna a grande obsessão de Ted na primeira temporada. Para Ted, ele e Robin simplesmente precisam ficar juntos - embora todas as suas tentativas tenham terminado mal, e os dois possuam visões bem diferentes do que querem: enquanto Robin busca apenas algo casual, Ted está determinado a encontrar alguém para se casar. Mas não é sobre eles que eu quero falar aqui. Hoje eu quero falar sobre Lily e Marshall.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Epifanias

Não se trata aqui da festa da Epifania do Senhor, comemorada ontem pela Igreja Católica e que celebra a revelação de Jesus Cristo à humanidade. Segundo a Wikipédia:

Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do afeto de alguém. O termo é usado nos sentidos filosófico e literal para indicar que alguém "encontrou finalmente a última peça do quebra-cabeças e agora consegue ver a imagem completa". O termo é aplicado quando um pensamento inspirado e iluminante acontece, que parece ser divino em natureza (este é o uso em língua inglesa, principalmente, como na expressão I just had an epiphany, o que indica que ocorreu um pensamento, naquele instante, que foi considerado único e inspirador, de uma natureza quase sobrenatural).

Nesse sentido, foi um final de ano de epifanias para mim. A última semana, em particular, foi repleta delas. Na quinta-feira, recebemos a notícia de que um amigo nosso tinha morrido. Passando o Reveillon na chácara da família, no estado de São Paulo, Renan Fakeiti acabou se afogando. E esta foi a minha primeira epifania.

Nunca antes eu tinha passado por algo assim. Embora não fôssemos exatamente próximos um do outro, eu ainda o considerava um bom amigo. E perdê-lo assim, de repente, me fez perceber o quanto eu preciso valorizar mais aqueles que eu amo, pois nem sempre eles estarão por perto. É, eu sei que pode parecer um pensamento meio clichê, mas acreditem: a gente nunca o leva realmente a sério até que sintamos na pele o que ele significa.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A persistência como algo negativo

Hoje em dia ouve-se muito falar em "persistência". Livros e programas de auto-ajuda estão repletos desse termo. Psicólogos e líderes religiosos o repetem quase como um mantra, na boa intenção de indicar às pessoas que não se deve desistir de resolver seus problemas. Entretanto, por incrível que possa parecer, isso nem sempre é uma coisa tão boa assim.

Claro que, se estamos passando por algum problema, temos de tentar até conseguir resolvê-lo. Não podemos simplesmente cruzar os braços e esperar uma solução cair do céu. Mas tem gente que comete o erro de tentar resolver seus problemas da maneira errada. E o pior: vê que está errado, e mesmo assim segue o conselho geral dos "gurus" de plantão e persiste tentando da mesma maneira.

Querem um exemplo? Assistam aos desenhos do Papa-Léguas. Percebam que o Coiote possui um grande problema: a fome. Mas percebam também que ele sempre tenta resolver esse problema da mesma maneira: comprando os revolucionários e nem um pouco confiáveis produtos da ACME, a empresa líder em reclamações de consumidores.

Pô, se ele tem dinheiro suficiente pra comprar essas bugigangas todas, porque não vai comer num restaurante? E aqui entra outro problema: quando a persistência se transforma em obsessão. É a obsessão de devorar aquela ave que leva o Coiote a cair de penhascos, ser atingido por bombas e soterrado embaixo de pedras a cada episódio.

Da mesma maneira acontece conosco. Pode parecer ridículo imaginar algo assim, mas há muitas pessoas por aí que não querem mais apenas resolver seus problemas. Pra elas não importa apenas que seja resolvido; importa que seja resolvido do jeito delas, mesmo que para isso elas precisem sofrer bem mais e o resultado ainda não seja tão bom quanto seria caso deixassem o orgulho de lado e resolvessem o problema do jeito certo. Na maioria das vezes, aliás, elas estão tão obcecadas que nem sequer percebem que existe uma maneira alternativa. Como na história da estudante que chegou perto do professor e disse que faria "qualquer coisa" para passar de ano... exceto estudar.

O jeito certo pode nem sempre ser o mais prático, ou o mais rápido, mas é o que vai trazer os melhores resultados. E o melhor: sem efeitos colaterais malignos.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Silêncio

"Silêncio" é o décimo episódio da quarta temporada de Buffy, a Caça-Vampiros, e é o 66º episódio no total. Escrito e dirigido por Joss Whedon, foi ao ar originalmente em 14 de Dezembro de 1999. Nele, monstros de contos de fadas chamados "Os Cavalheiros" roubam as vozes de todos em Sunnydale. Incluindo a Turma do Scooby.

Sinopse
Buffy tem um sonho durante a aula da professora Maggie Walsh, no qual encontra uma garotinha com uma pequena caixa nas mãos cantando uma estranha e perturbadora canção de ninar.


Can't even shout, can't even cry
The Gentlemen are coming by.
Looking in windows, knocking on doors,
They need to take seven and they might take yours.
Can't call to mom, can't say a word,
You're gonna die screaming but you won't be heard.


Tradução:


Não se pode nem gritar, não se pode nem chorar
Os Cavalheiros estão vindo.
Olhando nas janelas, batendo nas portas,
Eles precisam pegar sete e podem pegar o seu.
Não se pode chamar a mamãe, não se pode dizer uma palavra,
Você vai morrer gritando mas não será ouvido.


Giles recebe um telefonema de Buffy e tenta pesquisar a informação que ela recebeu em sonho sobre os Cavalheiros. Naquela noite, na torre do relógio, um dos Cavalheiros abre uma caixa que atrai e rouba as vozes de todos os habitantes de Sunnydale.
Os Cavalheiros

Na manhã seguinte, o pânico toma conta da cidade. A televisão afirma que é uma epidemia repentina de laringite. Naquela noite, os Cavalheiros dão início ao seu plano: coletar sete corações humanos - necessários para sua própria sobrevivência. Giles descobre que a única forma de derrotar os Cavalheiros é com o som de gritos humanos - reais, não gravados, como Willow sugere. É por isso que eles roubam as vozes de todos os habitantes ao chegar a uma cidade.

Durante a patrulha, na noite seguinte, Buffy encontra o esconderijo dos demônios e, com a ajuda de Riley - que não sabia que ela era a Caçadora, ao mesmo tempo em que ela não sabia que ele era um soldado da Iniciativa - destrói a caixa mágica que prende as vozes de Sunnydale. Com sua fala restaurada, Buffy deixa sair um grito que explode a cabeça dos Cavalheiros, livrando a cidade de sua presença.

Quantas vezes nós somos como os habitantes de Sunnydale nesse episódio? O mundo de hoje tenta nos calar, nos fazer ficar em silêncio diante das injustiças; os que detém o poder tentam nos calar diante dos escândalos que corrompem nosso governo; até mesmo o nosso próprio orgulho, ou o medo, nos impede de gritar quando precisamos de ajuda.

Precisamos dar vazão à nossa voz! Diante dos problemas, diante das tentações, precisamos deixar o orgulho de lado, reconhecer a nossa fraqueza e gritar por ajuda! Diante dos escândalos, diante da corrupção, diante da violência, diante do mundo de relativismo que pretende nos calar com suas ideias "politicamente corretas", não podemos ficar em silêncio! Temos que lutar, temos que quebrar essa caixa em que eles prendem a nossa voz e gritar: chega!

Ou isso, ou eles vão arrancar nossos corações, um a um. E serão bem mais que sete.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Tempo ao tempo

Você provavelmente já passou por alguma situação em que tudo o que queria era resolver alguma coisa o mais rápido possível. E, também provavelmente, já recebeu um conselho como este:

"Tenha paciência, na hora certa tudo vai dar certo."

Também é extremamente possível que nessas situações, a última coisa que você pensava era em ter paciência. Ou que a tal "hora certa" estava demorando demais para chegar. Nesses casos, como você costuma agir?

Eu não sou uma pessoa famosa pela minha paciência. Geralmente, quando eu quero alguma coisa, eu quero na hora - ou até antes da hora, se fosse possível. Mas hoje eu percebi que, muitas vezes, a espera vale mesmo a pena.

Quem me conhece sabe que, além dos videogames, também tenho outra paixão: a leitura. Semana passada, perguntei no twitter se alguém tinha alguma sugestão de livro, já que os que eu estava lendo estavam quase no final. Um amigo meu, o André, me sugeriu a série O Guia do Mochileiro das Galáxias. Eu já tinha ouvido falar, já tinha até assistido ao filme, mas nunca cheguei a ler. Então, fui procurar no Submarino pra ver se encontrava. Encontrei. Em promoção: de R$99,90 por R$78,50, se não me engano. Na hora eu fiquei bastante empolgado, mas também um pouco receoso. Afinal, era uma quantia relativamente alta, e neste momento eu estou tentando controlar os gastos. Além disso, como eu disse, já tinha assistido ao filme e não tinha gostado nem um pouco - mas reconheço que, para fazerem um filme, os livros provavelmente seriam ótimos.

Paralelamente, pesquisando outros gêneros, me deparei com Os Sete, de André Vianco. É uma história sobre sete vampiros portugueses, aprisionados num navio naufragado na época do Descobrimento, e que são trazidos de volta no Brasil atual. Fiquei em dúvida sobre o que comprar - e foi apenas por isso que não comprei nenhum naquele dia.

Hoje, porém, recebi um e-mail do Submarino, com a notícia de uma promoção-relâmpago no site. Acreditem se quiserem: a série completa do Guia estava à venda por apenas R$29,90, enquanto milhares de outros livros - Os Sete incluído - tiveram seu preço reduzido para R$9,90 cada um! A espera valeu a pena!

Não perdi tempo: entrei no site e comprei os seis livros no ato! Graças ao tempo que esperei, pude economizar quase R$50,00. 

Por isso, deixo para vocês este recado: quando passar por algum problema, ou quando quiser alguma coisa, tenha paciência! A hora certa vai chegar, eu garanto! E quando chegar, você se sentirá feliz por ter esperado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Imprevistos

No último feriado - quem já acompanha o blog há algum tempo sabe - meus pais foram viajar para a casa da minha avó, que mora a quase quinhentos quilômetros daqui. É um passeio e tanto, sem dúvida, mesmo para quem já faz esse exato percurso há mais de vinte anos. A cada vez tem algo diferente, alguma coisa nova. E desta vez não foi exceção - embora a "surpresa" tenha sido um tanto quanto desagradável.

Não lembro se cheguei a comentar sobre isso aqui, mas de qualquer forma, falo de novo. Quando tinham acabado de passar da metade do caminho, na ida, o carro quebrou. Imagino que se tivesse sido mais perto daqui eles teriam voltado (como aliás nós fizemos uma vez, anos atrás), mas aonde estavam não tinham como fazer isso. O único caminho possível era consertarem o carro e continuarem - embora tenham chegado com pelo menos umas quatro ou cinco horas de atraso: quase o tempo da viagem quando feita sem problemas.

Muito bem, eles chegaram lá na sexta-feira à noite, passaram o final-de-semana por lá e voltaram na segunda-feira após o almoço. Mas antes que chegassem na metade do caminho, outra vez houve um problema no carrro. E desta vez, não tiveram como consertá-lo. O único jeito foi chamarem um guincho daqui da cidade para rebocá-los - um trajeto, de ida e volta, de quase novecentos quilômetros. Resultado: chegaram aqui à uma da manhã (quando o normal seria terem chegado mais ou menos às seis da tarde) e ainda tivemos que gastar uma fortuna com o reboque e o conserto do carro, acabando com os planos da minha mãe de comprar um geladeira nova no final do ano.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Viagem ao Centro da Terra

Certamente você conhece esta história, ou no mínimo já ouviu falar dela. Mas para o caso de ser um extraterrestre ou ter passado os últimos séculos preso num tanque de animação suspensa ou num bloco de gelo no ártico, aqui vai uma pequena resenha desta que é, até hoje, uma das maiores aventuras de ficção científica que o mundo já conheceu:

A história começa com o professor Lidenbrock, um excêntrico mineralogista que certo dia descobre, entre os livros da velha biblioteca, um manuscrito de séculos atrás, de autoria do famoso cientista Arne Saknussem. Esse manuscrito, conforme Lidenbrock e seu sobrinho Axel descobrem, contém o segredo para se viajar ao centro da Terra - uma viagem que o próprio Saknussem já fez. Entusiasmado com a ideia, o enérgico professor decide partir imediatamente - muito para o desgosto de Axel, que duvida piamente da possibilidade de tal excursão e tenta dissuadir o tio de sua ideia maluca durante boa parte do caminho.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bonsai, velho bonsai

Um tempo atrás eu quis dar um presente de aniversário diferente pra minha mãe. Não sabia o quê, entretanto, então fui procurar nas lojas da cidade alguma coisa que ela pudesse gostar. Acabei me deparando com uma floricultura e decidi entrar.

Vocês devem estar pensando: "Você queria um presente diferente e foi comprar flores?" Bem, isso seria diferente para os meus padrões de presentes, mas eu também pensei assim. Então, em vez de uma flor, eu decidi comprar uma árvore. Um bonsai, na verdade, uma árvore em miniatura, mas ainda assim uma árvore.

Bem antes disso, tínhamos reformado a nossa casa. Apesar de meus protestos, meus pais não deixaram nem um só milímetro de jardim. Pavimentaram tudo. Hoje eles pagam as consequências disso, já que nossas cadelas não têm mais um lugar específico para fazerem suas necessidades, mas eu estou divagando e isso é outra história. O ponto é que eu achei que uma planta de verdade - diferente daquelas de plástico que minha mãe já tinha - seria algo interessante de se ter novamente em casa.

Então, voltando ao assunto. Perguntei na loja pelos diversos preços, e eles eram realmente diversos. Se alguém entende do assunto, já vai saber disso, mas pra quem nunca se interessou, lá vai: os bonsais mais velhos são os mais caros. Quando a vendedora me disse isso, eu fiquei pensando: como é diferente dos humanos! Geralmente nós tratamos os mais velhos com desdém e só valorizamos o que é novo e atual.

Quanto mais o bonsai é velho, mais o bonsai vale.
Bem ao contrário do nosso mundo atual.
Não me refiro aqui apenas às pessoas mais velhas - embora elas sejam as que sofram as maiores consequências dessa onda de valorização excessiva do novo e depreciação do que é velho. Os valores, a cultura, os ensinamentos antigos são gradualmente substituídos por outros mais "atuais" - embora nem sempre isso signifique "melhores".

Claro que o mundo evolui, as coisas mudam e entre elas, a tecnologia é a que mais rapidamente descarta o velho para utilizar o novo. E em certos casos, isso é uma coisa boa, afinal não se deve ficar excessivamente preso ao passado. Mas muitas vezes, acabamos perdendo grande parte de nossa história, e consequentemente de nós mesmos, em favor de coisas que nem sempre são tão boas assim.

Aprendamos a valorizar aquilo que é bom, mesmo que não seja da nossa época. Afinal, sem o passado não haveria o nosso presente; e sem as coisas que tantas vezes consideramos "ultrapassadas", nossas vidas não seriam como são atualmente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

As Três Recompensas

Não me culpem. Tive uma manhã cheia e não deu tempo de preparar o post de hoje. Daí eu decidi postar mais uma história do Malba Tahan. Sim, eu sei que vocês gostam! Então, vamos lá!



Era em Mossul, na terceira lua do mês de Rajeb-aul do ano 403 da Héjira.

A grande caravana de mercadores, que seguia anualmente para Basra, com estofos e sedas, terminara os últimos preparativos para a longa jornada pelo deserto.

Ao cair da noite, o jovem Abul Firaz ibn Kharsian — o mercador — chamou seus guias, servos e escravos e disse-lhes:


— Amanhã, ao nascer do dia — se Allah quiser! — Partiremos com a nossa caravana para Basra, acompanhado a estrada de Erbil e Kerkuk. Quero, à hora da partida, que todos os homens estejam prontos, os camelos carregados e as tendas arrumadas! Mahissalemá! Podem ir! Que Allah os proteja!

Saíram todos. Abul Firab ficou a sós em meio de sua tenda a meditar. Sobre seus ombros pesavam as responsabilidades de chefe da caravana. Seria bem sucedido? Seria infeliz? Só Allah — o Altíssimo — conhece o futuro dos homens; tudo o que ocorre na terra está escrito — Maktub! Que adianta, pois, pensar no dia de amanhã?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Máquina que faz PING!

Trata-se da primeira cena do filme The Meaning of Life (em português: O Sentido da Vida), o último e mais polêmico longa dos comediantes britânicos do Monty Python, sobre o qual eu já comentei aqui antes, mas que hoje trago de volta para fazer uma breve reflexão sobre um dos grandes perigos que o jovem de hoje enfrenta: o consumismo.

Em The Meaning of Life, um grupo de peixes num aquário explora, numa série de esquetes separadas, as diversas circunstâncias da vida humana, do nascimento até a morte. Com tiradas hilariantes ao extremo - e outras que podem irritar extremistas - o filme tenta levar o espectador a refletir sobre o verdadeiro sentido da vida. Uma obra de arte, como são aliás todos os trabalhos do grupo.

Mas vamos ao que interessa. Você certamente já viu alguma máquina que faz um ruído característico. Computadores, por exemplo, fazem "bip". Celulares podem fazer diversos sons, dependendo do que o dono programar. E claro, há os videogames, que fazem "ekke ekke ekke ekke ptang-zu-bóing". Não, esperem. Isso quem faz são Cavaleiros que Dizem NI.

Bom, que seja. De qualquer forma, existem também algumas máquinas que fazem "ping". Mas eu garanto que nenhuma delas faz "ping" como A Máquina que faz PING! (leia-se PING!, no tom mais agudo possível).

Se o governo quiser investir em saúde, deve começar equipando todos os hospitais com uma Máquina que Faz PING!. É uma maravilha da ciência moderna! Com A Máquina que Faz PING!, não precisariam se preocupar com mais nada.

"Mas afinal", você se pergunta, "o que essa máquina faz?" E eu respondo sarcasticamente: "Ora, o nome já diz! A Máquina que Faz PING! faz... PING!".

Só isso? Só isso. Mas é um dos equipamentos mais caros da maternidade onde uma jovem está prestes a dar à luz.

Existem pessoas que fariam qualquer coisa para ter uma Máquina que Faz PING!. Mesmo sabendo que ela não os deixaria dormir à noite e só serviria para fazê-las gastar dinheiro - imaginem quanto custa a manutenção de uma máquina dessas. Mas elas precisariam dela, nem que fosse apenas para espalhar aos outros que elas têm.

A Máquina que Faz PING! é um exemplo claro da situação atual de boa parte da juventude. A mídia, especialmente a televisão, nos diz que nós valemos por aquilo que nós temos. Quanto mais você tem, mais você vale. Mas não basta ter tal coisa; é preciso que tal coisa esteja na moda. 

Pessoas que são excluídas, taxadas de "inferiores", apenas porque não têm um par de tênis de R$300,00 - que é quase o salário mensal de boa parte dos trabalhadores brasileiros.

Outras que se matam para comprar uma calça igual à dos integrantes daquela banda de sucesso, apenas para descobrirem, depois de uma semana, que com o mesmo dinheiro poderiam ter comprado várias calças mais baratas - e mais confortáveis.

A pessoa pode ser um pulha, o tipo de gente que ninguém gosta de chegar nem perto, mas se ela tiver dinheiro, estará sempre rodeada de "amigos". Mas de que adianta tudo isso, se quando chegar a hora perderemos todas essas coisas? O que nós vamos levar daqui?

O mesmo filme que nos apresenta a maravilhosamente inútil Máquina que Faz PING! - tão inútil, se comparada a outras máquinas parecidas, quanto um par de tênis de R$300,00 ou um par de calças coloridas que mais parecem de palhaço - também nos dá a resposta. Não importa se somos ricos ou pobres, se andamos na moda atual ou na de cinco anos atrás, se temos em nossa garagem um carro do ano ou uma mula atrelada a uma charrete: nosso destino final vai depender unicamente do que nós somos, porque o que temos... isso não vai valer absolutamente nada!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Criatividade, Falta de

Poucas coisas são piores para mim do que a falta de criatividade. Simplesmente fico inquieto, andando de um lado para o outro tentando pensar em alguma coisa para usar numa pregação, ou para postar aqui, mas não sai nada.

Na maioria das vezes, até sai. Muita coisa, aliás. Hoje, por exemplo, eu devo ter pensado em uns dez temas pra este post. Mas não consegui me aprofundar em nenhum deles. Não sei o que acontece, parece que o pensamento não vai nem no tranco!

Pensei em postar uma história, mas já fiz isso ontem. Pensei em postar uma música, mas não lembrei de nenhuma que pudesse ser utilizada. Saco, por pouco eu quase fiz a review de um episódio de seriado! Só não fui em frente porque os temas dele episódio são muitos, mas nenhum extremamente profundo pra merecer um post inteiro.

Então, num esforço desesperado para manter o blog atualizado, resolvi falar justamente sobre o que estava me impedindo de atualizá-lo! E coisa incrível: ao começar a escrever estas linhas, percebi que poderia usá-las num tema bastante interessante, sobre o qual eu trato agora.

Pra começar, releia o segundo parágrafo. Já? Ok, continuando.

Foi justamente essa parte que me impulsionou a pensar. Quantas vezes nós nos envolvemos em tanta coisa que acabamos não fazendo nada! Já tiveram essa sensação?

Por exemplo, um estudante comum, que não é extremamente preguiçoso, mas também passa longe de ser um gênio. Ele se dá razoavelmente bem em todas as matérias. Mas não se aprofunda em nenhuma delas. De um modo generalizado, é um estudante acima da média. Mas analisando cada matéria separadamente, acaba ficando bem abaixo dos demais. Por quê? Porque não se aprofundou.

Outro exemplo, bastante comum entre nós jovens: o sujeito vai a uma festa e fica com três, quatro ou quinze garotas numa noite. Muito bem, parabéns para ele. Mas pergunte se lembra do nome de metade delas. Não vai lembrar. Por quê? Porque não se aprofundou nesses relacionamentos.

Até mesmo as crianças estão cada vez mais sendo educadas a terem dezenas de atividades diferentes, mas não se aprofundam em nenhuma delas! E o pior: não têm mais tempo de se aprofundar na melhor atividade de todas, que é justamente ser criança!

Isso é um dos grandes males da sociedade de hoje: estamos tão ocupados com tantas atividades que não procuramos nos aprofundar naquilo que é realmente importante! Valorizamos mais a quantidade, e não a qualidade!

Por isso que eu pergunto: como anda a "profundeza" de nossa vida? De nossas relações, até de nosso próprio ser? Temos gasto tanto tempo vivendo a vida dos outros que acabamos nos esquecendo de viver a nossa própria, de sermos nós mesmos?

Que tal definirmos melhor nossas prioridades?

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Super Macacos em Bolas

É um título estranho, sem dúvida. Parece até nome de desenho infantil americano mal-traduzido. Mas é quase isso. Trata-se de uma série de jogos produzidos pela SEGA e protagonizados pelo macaco AiAi. O nome original da série? Super Monkey Ball. Daí, Super Macacos em Bolas. E essa tradução tem tudo a ver com o jogo.

Em SMB (Super Monkey Ball, não Super Mario Bros.), o jogador escolhe um de vários macacos extremamente fofoinhos, que usam enormes bolas transparentes como seu meio de transporte. Até aí, nada de mais, e justifica bem o nome. Mas o diferencial dessa série é que você não controla diretamente os personagens. Você controla o cenário ao redor deles.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Fora da mente, fora da visão

Fora da mente, fora da visão é o 11º episódio da primeira temporada de Buffy, a Caça-Vampiros.

Neset episódio, Buffy precisa proteger sua odiosa colega de classe, Cordelia Chase, quando ela se torna o alvo de uma ex-estudante invisível em busca de vingança. As coisas se complicam quando os Scoobies descobrem que a garota invisível não é um fantasma, mas uma garota dada como desaparecida seis meses antes: Marcie Ross.

Durante seu período no Colégio Sunnydale, Marcie tentou, em vão, se tornar popular. Ignorada pelos demais alunos, e até mesmo pelos professores, ela se tornou invisível. Giles teorizou que isso foi o resultado das energias místicas da cidade manipulando a realidade. Em outras palavras, como todos na escola desconsideravam Marcie, ela começou a se sentir invisível. E essas energias místicas acabaram tornando-a literalmente invisível.

Claro que isso nunca vai acontecer na vida real, obviamente, mas a história de Marcie nos leva a refletir. Será que não temos alguém ao nosso redor que estejamos tratando como "invisível"?

Se alguém vem até nós procurando alguma coisa, como nós o tratamos? Damos a atenção que ele precisa ou deixamos de atendê-lo para nos concentrar em nossos próprios problemas?

Como estamos tratando as pessoas? Na escola, no trabalho, até mesmo na nossa família? Se morássemos em Sunnydale (ou Cleveland), será que conheceríamos alguém que tenha ficado invisível? Mais ainda: teríamos culpa no processo?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O que te prende?

O que te impede de escutar?
O que te cega? O que te leva a se calar?

Essas são perguntas que todo mundo já fez a si mesmo alguma vez. São também os primeiros versos da música O que te prende?, do Dunga (não o ex-técnico da Seleção, muito menos o anãozinho da Branca de Neve), e que nos levam a refletir.

Falando francamente, o mundo atual está - como diriam os franceses - uma merde. Isso, todo mundo já percebeu. O que também, todo mundo já percebeu, é que vai continuar uma merde enquanto alguém não fizer alguma coisa pra mudar. Mas é aqui que a percepção de algumas pessoas parece falhar. Porque enquanto elas ficam esperando que alguém aja, não percebem que podem, muito bem, fazer alguma coisa elas mesmas. Isso nos traz à pergunta que abre este post: o que nos prende? O que nos impede de fazer alguma coisa para  ao menos, tentar melhorar o mundo em que vivemos?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Que venha o sol!

O horário de verão chegou! Uhuu! Viva!

Metade de vocês provavelmente querem me matar depois de ler essa primeira linha. E não posso dizer que não têm razão, pois reconheço os distúrbios que a mudança de horário pode provocar nas pessoas. A sensação de acordar mais cedo e a vontade de dormir mais tarde mexe com o organismo de qualquer ser humano normal - e é nessas horas que eu me orgulho de ser totalmente anormal.